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O cinema erótico brasileiroA produção brasileira sob a repressão militarO final dos anos 60 é marcado pela repressão do AI-5, e a violência do governo Médici. O exílio, a autocensura e, principalmente, a censura afeta profundamente o panorama cultural da década de 1970. Com a perda das bases políticas do Cinema Novo, com a devastação das propostas nacionalistas e libertadoras, uma grande virada deveria ocorrer para possibilitar a continuidade da produção. Eis que surgem, então, as pornochanchadas, produções meramente comerciais. A década de 1970 caracteriza-se por uma expansão surpreendente do mercado nacional, que pode ser observada em todos os setores culturais: na música, nos livros e revistas e na televisão. O cinema acompanha tal processo, dobrando sua presença no mercado e expandindo a sua produção. O cinema novista oscila no início da década entre obras direcionadas às discussões sobre o país e o desejo de alcançar o público. Filmes como: Como era gostoso o meu francês (Nelson Pereira dos Santos) de 1971, Quando o carnaval chegar, de 1972 e Joanna Francesa, 1973, ambos de Carlos Diegues, são alguns exemplos disso. Graças a uma significativa expansão do mercado, o cinema nacional atinge entre 50 e 60 milhões de espectadores (antes o público era de cerca de 30 milhões). Uma nova política de Cultura é elaborada em 1975, que incorpora traços do nacionalismo de 1960. Resgata-se a concepções como: “homem brasileiro”, de “identidade nacional” e “diversidades regionais”, atraindo os produtores cinematográficos. Surgem filmes, de cunho político-material, que vão ocasionar o retorno do debate sobre o nacional-popular, com outras nuanças. Dona Flor e seus dois maridos (1976) de Bruno Barreto, Tenda dos milagres (1977) de Nelson Pereira dos Santos são exemplos dessa época, e finalizando o ciclo é lançado o filme de Carlos (Cacá) Diegues Bye Bye Brasil de 1979. Nos anos de 1978 e 1979, com um mercado em alta e uma realidade econômica brasileira favorável, cria-se novas possibilidades para os filmes nacionais, incluindo os eróticos. Dentre esses destaca-se A dama do lotação de 1978, do ex. marginal Neville d’ Almeida. Paralelamente surgem algumas obras com pretensões de “grandes produções”, sendo que tal status só é observado se comparado com outras produções nacionais. São casos típicos: Quilombo de Cacá Diegues 1984, O beijo da mulher aranha de Hector babenco (1985) e Memórias do Cárcere (Nelson Pereira dos Santos, 1984) As relações entre a política e o cinema continuam intensas nos cinco primeiros anos da década de 1980, ambos sendo influenciados mutuamente. Leon Hirszman com seu Eles não usam Black – Tie (1981) obra inspirada em uma peça de Gianfrancesco Guarnieri do final dos anos 50 é um ótimo exemplo. Crescem as novas gerações no cinema brasileiro, já não tão preocupados com os movimentos políticos e a cultura do passado. Em São Paulo, especificamente, essas gerações são representadas pelo “grupo de Vila Madalena” que criam o chamado “cinema da Vila”. Algumas obras que caracterizam esse período são: Asa branca, um sonho brasileiro (Djalma Batista, 1981), Noites Paraguaias (Aloysio Klotzel, 1985) e Marvada carne (André Klotzel, 1985). Deve-se lembrar de outras obras como o Passageiro da Agonia de Hector Babenco, filme de grande sucesso e comercialização, Pixote a lei do mais fraco também de Hector Babenco, que retrata um tema antes proibido, a vasta diversidade de temas, que caracterizou a produção de experientes diretores como Eu sei que vou te amar de 1985, de Arnaldo Jabor e Inocência de Walter Lima Júnior (1983), e também de jovens diretores como Das tripas coração (1982) de Ana Carolina e Patriamada (1985) de Tizuka Yamasaki. Além de grandes sucessos como Os sete gatinhos (1980) de Nivelle de Almeida, Bonitinha mais ordinária (1980) de Braz Chediak e Boca de ouro (1962) de Nelson Pereira dos Santos. Copyright©
2000/2001 |